Vendo os Jogos Olímpicos fiquei emocionada em vários momentos. Mas não há como negar que o momento mais emocionante é o pódio. O do César Cielo me tocou em especial. Não sei se por ter sido o primeiro ouro do Brasil em Pequim, por ter sido um primeiro lugar um tanto quanto surpreendente (quem apostou no Cielo antes das Olimpíadas começarem???), ou por ele ser muito fofo. Eu só sei que chorei junto com ele. Aliás, torci muito para que ele superasse aqueles 50 metros em primeiro lugar.
E enquanto assistia àquele garoto chorando no lugar mais alto do pódio, pensei: "Deve ser realmente uma emoção muito grande a sensação de ter vencido algo assim. Uma mistura de incredulidade e alegria."
Depois me veio a idéia de que eu sabia exatamente o que ele estava sentindo. Quantas vezes não choramos ao ver que depois de muito esforço conseguimos uma conquista difícil, que parecia até impossível?
É como estar no alto do pódio e ver todos ali aplaudindo. Sim, todos estão ali por você.
Eu já estive no lugar mais alto do pódio algumas vezes. E chorei. E foi o melhor choro da minha vida.
É claro que tudo tem os dois lados. Já senti raiva por ter errado e ver o pódio escapar. Já me julguei incapaz, já vi anos de preparação, meses de esforço sendo jogados fora. E o pior: por mim mesma. Essa sensação de ter errado justamente quando não se podia errar é terrível.
Somos todos um pouco atletas. Ou não é uma maratona esta vida que vivemos? Não temos que dar um ippon nas dificuldades diárias, levantar um peso maior a cada dia, correr mais rápido que Usaim Bolt para conseguirmos um lugar nesse pódio?
Todos temos metas. Às vezes, triunfamos e podemos chorar pelo ouro conquistado, mas nem sempre é assim. Muitas vezes, temos que amargar a derrota, sofrer nossa própria cobrança (que geralmente é maior do que qualquer outra) e tentar dar a volta por cima. Começar tudo do zero. Novos treinamentos, nova jornada, para tentar acertar da próxima vez.
Eu chorei com o Cielo, com a Maureen, com as meninas do vôlei, da vela, com o João Derly, Diego Hypólito, Tiago Camilo... porque eu sei exatamente o que eles sentiram. Na alegria e na tristeza.
Não, eu não estive em Pequim. Mas já estive dentro e fora do pódio muitas vezes na minha vida.
Tex indica: Cisne Negro
Há 15 anos
3 comentários:
Primeira vez q entro no blog da Priscila e comento(ela me pediu)rsrsrs mas o q falarei é a mais pura verdade. Não comentarei sobre o texto dela pq seria "chover no molhado" afinal inteligente tds sabem q ela é...mas lendo este texto tenho q concordar em td...sim ela é uma vencedora...escolhemos fazer a msm coisa, jornalismo e, num mundo onde tanta gente cresce e sobe passando a perna no outro, ver uma pessoa melhorar cada vez mais apenas pelo seu carater, inteligencia e integridade, realmente é de emocionar...medalhas de ouro seriam poucas para presentear essa menina...sei q ando distante e q neste curto periodo de "jornalista" já conheci muita gente famosa...mas garanto, ninguém q mereça tanto um primeiro lugar no pódium, um lugar ao sol quanto a Priscila e por isso me orgulho em dizer, msm sendo piegas...q sou amigo de uma campeã...botando em minhas palavras,
Priscila vc é foda!!
desse seu amigo desnaturado,
Felipe
Era uma vez um senhor chamado Michels. Ele treinava um time de futebol e um dia percebeu que liderava um grupo especial de jogadores. A grande maioria dotada de inteligência acima da média, perspicazes, ágeis, sabiam exatamente o melhor a se fazer diante de cada perigo. Michels virou-se para o garoto louro e propõs: e se você deixasse de lançar para marcar, fazer gols, caminhar pelas laterais, pelo meio, enfim, por onde sua imaginação permitisse? O jovem olhou com desconfiança, mas acatou. Michels conversou com outros nove jogadores sobre sua proposta. O primeiro treino foi um assombro. Michels parava a jogada cada vez que um jogador tocava a bola mais de uma vez. Depois chegou à conclusão de que estava falando para os ventos. "Agora só vale gol se a bola tocar ao menos uma vez no pé de cada jogador". Ah, bem. Melhor assim, pensaram os jogadores que, no ínício, não se acostumaram muito com a idéia. Trombavam, erravam passes demais... Mas Michels tinha a convicção de que preparava uma força coletiva, algo de mágico numa energia que fluiria de pé em pé até o gol adversário.
A tática ousada de Michels o consagrou em seu time, o Ajax, que tinha o garoto louro, Cruijff. Juntos, comandaram um grupo fantástico que, vestido de laranja, assombrou o mundo em 1974. Não venceu, mas, 34 anos depois, perguntem sobre Michels, o Rinus, ou Cruijff, o Johann. Mencionem algo como Laranja Mecânica. Na pior das hipóteses dirão sobre um tal de Stanley Kubrick, cineasta. De qualquer modo, gênios que, segundo mentes programadas para vencer, não conseguiram fazer os fins justificarem os meios. Sorte sobreviverem na generosidade dos que percebem além do óbvio: a vitória nem sempre está numa medalha ou num pódio. Viver com ética, caráter, criatividade e perspicácia num mundo robotizado e opressor vale mais do que qualquer trocado levado às custas de doping, violência ou corrupção. Isso sim vale ouro. Ou prata, que diferença faz? Que o digam Rinus Michels e Stanley Kubrick.
De blog pra blog: você sabe que cada dia mais sou seu fã. Não só da profissional, mas da pessoa que estou descobrindo existir por trás dos olhares óbvios. Alguém com sensibilidade, inteligência e percepção ímpares. Conte comigo para o que precisar e parabéns por subir um degrauzinho por dia com pés descalços nesse pódio tão difícil da vida.
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