Tudo está muito rápido. Mensagens são digitadas aqui e num piscar de olhos já chegam do outro lado do mundo; uma celebridade faz uma besteira e em alguns minutos já está todo mundo sabendo. É impressionante esse fluxo constante de informação! O tempo todo, todo o tempo...
O mais engraçado é como algumas coisas entraram nessa onda de rapidez e modernidade.
A amizade, por exemplo. Antigamente, pra ser AMIGO, assim com letras maiúsculas, era preciso convivência, histórias pra contar, semelhanças, diferenças e, sobretudo, tempo. Ninguém virava amigo do peito no primeiro dia de aula. A amizade era como um álbum sem fotos que pouco a pouco ía sendo preenchido com recordações e construía assim um laço entre aquelas pessoas.
Hoje, não.
Hoje tem o amigo de bate-papo virtual, o amigo do orkut, cheio de t doluuu e miguxos, cheio de palavras com muitas vogais repetidas e pouco sentimento. Se existe alguma verdade nesses sentimentos formados por bites, é a "verdade virtual", tão fugaz e efêmera quanto o mundo onde está inserida.
E o que dizer do amor? Esse aí não é mais tão complexo quanto pensavam os poetas. Não, as tecnologias de comunicação facilitaram tudo! Entre num site de relacionamentos, ache alguém que pareça interessante e vá à luta! Blind date? As normal as drinking a cup of coffee in the morning...
Ou então, que tal a estratégia do orkut (olha ele aí de novo)? Basta ver a foto, ler o perfil e deixar um scrap: "Te achei interessante. Me add no msn!" E temos aí, os maiores classificados amorosos do mundo! Procure e ache!!!
Mas a internet não tem culpa. Ela só acelerou um processo que vinha em curso há tempos. O amor e a amizade são sentimentos desgastados. Na TV, por exemplo: temos aqueles programas de namoro, onde as pessoas vão para encontrar sua alma-gêmea. Conversa um pouquinho, dança um pouquinho...ok, vamos tentar! Na pior das hipóteses, vamos dar uns beijinhos e cada um pro seu lado. Por isso, nasceu o ficar (que já até digi-evoluiu para "pegar"). Você "fica", mas nunca "está". Entende? Os verbos dão toda a diferença. O estar precisa de tempo, o ficar, só de circunstância.
E assim vamos... vivendo em um mundo de circunstâncias, de bites, de bytes, do hoje, não do amanhã. Quando tudo evoluiu e alguns valores tentaram acompanhar essa evolução e chegaram no agora de forma desajeitada.
Não, não é uma crítica. É mais saudosismo. Porque para quem vive o hoje e não conheceu ou não se lembra do ontem, na verdade, não há diferença nenhuma. Tudo bem! Pra quem só quer saber do instantâneo, o amanhã é uma grandeza inexistente mesmo...
Tex indica: Cisne Negro
Há 15 anos
Um comentário:
Era uma época boa as saídas para Saquarema, as idas à pracinha nos feriados. Via de longe meus colegas se esbaldando e acabava responsável por levar alguns deles para casa. Também me vêm à memória os jogadores feitos de pregadores coloridos e os gols de caixas-de-sapato que viravam um divertido campeonato. Ou as vielas do condomínio que se tornavam circuitos de corrida de bicicleta.
Naquele tempo, e não faz tanto tempo assim, amizades eram curtidas aos poucos, eu nem conhecia o que era e-mail e as cartas eram todas feitas à mão. Ainda hoje, os meus mais profundos sentimentos brotam do coração para o papel. Isso é sentimento 1.0, 0.5, total flex? Sei lá, sei que é instantâneo. Tudo o que de mais precioso já escrevi passou antes pelo papel e pela caneta. Sei que esse é um legado que dificilmente passarei para meu filho e ele para o meu neto. Provavelmente eles nem terão cadernos. Aprenderão por palm-tops, notebooks e videoconferência. Quando sentirem o cheiro da poeira dos meus cadernos, espirrarão em mim toda a modernidade. Uma modernidade da qual também começo a fazer parte, mas, sinceramente, me deixa com muita saudade de um tempo em que se podia dar um tempo e jogar conversa fora - na verdade, muita conversa dentro...
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