O dia começou como qualquer outro. Terminou como o pior deles. Como em qualquer ser humano, a esperança e o amor tornavam a visão turva e faziam com que as nuvens brancas fossem bons sinais, o começo de dia animado fosse um presságio de alegria posterior, a ligação inesperada de uma amiga distante fosse a confirmação de que naquele dia nada poderia dar errado. Mas deu.
Os minutos passavam e a esperança insistia em respirar. Um monitor à frente. A atenção deveria estar naquele jogo ali. Figueirense x Internacional. Mas o coração estava a dois monitores de distância.
E passa o tempo...gritos de gol! Não...esse não me interessa... Gol! Gol! Gol! O Internacional está na frente! Comemoro, comemoro, comemoro... mas o tal jogo a dois monitores de distância faz desaparecer o sorriso. Não pode ser! O grito fica preso na garganta, as lágrimas não saem. O local não me permite. Mas, tudo bem. A esperança me lembra que ainda tem muito jogo pela frente. O coração não desiste...
Quarenta e cinco minutos. Quarenta e cinco. O otimista diz que é o tempo suficiente para que tudo dê certo. É o tempo suficiente para que os astros conspirem a nosso favor. Enquanto eles conspiram, eu inspiro... faltam gols, falta ar...
Mais uma vez, os olhos deveriam estar à frente, mas não estavam. Vai! Vai! É agora! Foi quase!
Do outro lado, empate do Figueira... O placar ainda não prejudica, mas os outros resultados também não ajudam...
Ninguém ajuda, ninguém ajuda! Se ao menos o time se ajudasse... Gol! Foi gol! Eu vi! Ah, não...impedido. Alguém tinha que impedir essa tragédia, isso sim!
E se não sai gol de um lado, sai dos outros... lá vai o Atlético...mais um? Só pode ser de propósito... Vai Figueirense... faz o segundo, faz o terceiro aí...
Todo mundo faz gol o tempo todo! E aquele monitor ali não mostra mais gol, não? Acho que é culpa dele... alguém troca esse monitor, por favor? Alguém troca o placar? Alguém troca o time? Alguém faz alguma coisa!
E fizeram...gol! Mas quem tinha que comemorar não devia vestir essa camisa aí... Não entenderam meu pedido! Tá tudo errado!
Essa bola na rede bastou para que o duro golpe fosse sentido antes do apito final. O cronômentro não estava zerado, mas eu só tinha lágrimas para contar. A torcida chorava, os jogadores choravam, eternos ídolos choravam e eu...eu tentava não chorar. A essa hora, os olhos estavam voltados para o Figueirense, mas não viam nada. Só olhavam... os ouvidos captaram o hino ao longe. Como uma antena, captaram também gritos de incentivo, declarações de amor ao clube.... Como segurar as lágrimas?
Falhei. Alguns chegaram para me dar apoio, rir, zoar e até prestar condolências... Eu não falava nada. Se falasse, a lágrima silenciosa gritaria. Isso eu ainda podia evitar. Só olhava para as pessoas. Sem resposta.
Tudo o que eu queria era chorar em paz por um minuto. Um minuto apenas. Mas o mundo não me deu essa chance. Tudo podia estar se quebrando a minha volta, mas o mundo não parou. Nem pra me dar o respeitoso "1 minuto de silêncio". E eu segui com meus afazeres, com a maior vontade de parar.
No dia 07 de dezembro de 2008 o mundo não parou. E por mais que eu ainda esteja triste, não vou poder parar também. Só me resta aproveitar alguns "1 minuto de silêncio" por dia para jogar pra fora tudo o que ficou guardado nesse dia em que o mundo não quis parar.
Tex indica: Cisne Negro
Há 15 anos