sábado, 17 de maio de 2008

Barbies e o mundo virtual

Outro dia um amigo meu me contou uma história. Seguinte:
Ele recebeu um convite para ser amigo de uma pessoa no orkut. Coincidência (ou não) era um xará desse meu amigo. Nome e sobrenome iguaizinhos. O mundo é pequeno mesmo...

Ao entrar no orkut do xará, meu amigo viu que eles não tinham apenas o mesmo nome, mas o mesmo e-mail ! Praticamente gêmeos!
Só que o novo irmão não tinha amigos... nem comunidades... nem fotos... pobrezinho!
Meu amigo foi logo julgando e acusando o coitadinho. Pensou que ele pudesse ter entrado no orkut dele, visto o e-mail que, por acaso, estava no perfil e feito um fake, só por brincadeira ou maldade.

Imagina! Que absurdo! Arrasou com os sentimentos do cyber-irmão. Ele ali, cheio de boa vontade, querendo reunir a família e o desnaturando o chamando de fake! Falso! Falso! Não... isso, não!

Meu amigo ainda foi mais longe... pediu reenvio de senha para o endereço de e-mail... ao receber a senha carinhosamente inventada pelo "fake", ele a mudou! Agora, o fominha tem dois perfis no orkut! Se apoderou do que era do irmão virtual sem dó nem piedade!

Essa web é interessante... deu ao meu amigo um gêmeo fake e o tirou em questão de segundos... pelo simples detalhe de uma senha...

Aí vem a questão:
Será que existem outros "eus" por aí? "Eus" que talvez eu nunca conheça?
Sempre achei que nossa identidade não era algo completo, único. É fragmentada, se forma a cada experiência vivida...

Dentro de mim eu já tenho tantos "eus"! Acho que todos nós somos assim.
Sabe, como uma coleção de Barbies:
Barbie na escola, Barbie no escritório, Barbie de férias, Barbie na balada...

É isso. Todos somos como uma coleção de Barbies (Max Steel, se os meninos preferirem). Em cada lugar, com cada grupo diferente de pessoas, somos uma pessoa diferente. Nos vestimos diferente, falamos diferente... Mas notem: assim como a coleção de Barbies, a essência é a mesma. Vamos mudando aos poucos... uma articulação no pulso, um cabelo diferente, um plástico mais resistente... mas nunca deixamos de ser o que essencialmente somos.

O difícil é ter que administrar também os "eus" binários... Como se já não estivesse complicado o bastante cuidar dos "eus" reais...
Eu acho que a Barbie nunca teve esse problema...

domingo, 4 de maio de 2008

O Flamengo é bi!

Domingo cheio de finais de campeonato pelo Brasil. Poderia falar da goleada do Palmeiras ou do chocolate do Inter (Fernandão é ídolo com toda a razão), mas prefiro falar do que realmente vi.
E o que vi foi o Flamengo aprontar para cima do Botafogo. Ouvi a torcida rubro-negra cantar "Mamãe eu quero!" e, no final, vi o Flamengo assumir que tinha se tornado bi. Bicampeão, claro.
De noite, vi o Ronaldo "Fenômeno" dizer que não era bi. E não entendi. Ele não torce para o Flamengo? Então, é bi! Caramba, Ronaldo!
É uma simples equação lógica:
O Flamengo é bi;
O Ronaldo é flamenguista;
logo, o Ronaldo é bi!
Simples assim.

Bicampeão, claro. Não confundam...

Começo

Há muitos anos, resolvi criar um blog. Eu queria escrever tudo e nada; queria escrever qualquer coisa. Na época, eu não tinha nem computador. Atualizava o blog em um computador que existia no meio do banco que minha mãe costumava a ir. A internet era liberada para os clientes.
Naquela época, não existia uma lan-house em cada esquina (acho que nem existiam lan-houses).

Bem, criei um blog. O nome era "Mundo irônico", hospedado na AOL. Resolvi comentar no blog algumas notícias que lia no jornal ou via na TV. O primeiro post falava de um comentário de um gereral americano no Iraque. A guerra estava começando e ele dizia: "Não se preocupem. Está tudo bem por aqui."
Achei isso engraçado. Falei: "Ainda bem, que ele me garantiu que, no meio de uma guerra, está tudo bem. Veja se isso não é uma grande mensagem de auto-ajuda para o mundo? Quem sou eu para reclamar da minha vida, quando no meio da guerra está tudo bem? Estou mais tranquila agora."

Tive seis comentários. Fiquei feliz porque eu não conhecia as seis pesoas! Que maravilha é a internet! Gente que nem me conhecia estava comentando sobre o meu texto!

Queria ir ao banco todo dia. Queria ver mais comentários...queria escrever mais!
Só que a ilusão da fama virtual, assim como é a da real, durou bem pouco. No terceiro post eu tinha pouquíssimos comentários de estranhos. Depois disso, foi uma coleção de zeros; nem meus amigos comentavam mais.

Agora os textos estão perdidos entre os zeros e uns desse mundo virtual. A AOL não existe mais, nem meu primeiro blog.

Resolvi voltar. O nome "mundo irônico" não estava mais disponível. Mas tudo bem, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Esse não é mais aquele blog, essa não é mais a mesma Priscila e o mundo também já está bem diferente.

Para este meu mundo novo, novos visitantes. Sejam bem vindos!
E não se incomodem em comentar. Isso já deixou de ser o mais importante faz tempo...